sábado, 24 de novembro de 2018

3 - Triste manhã

Acordei atrasada para o trabalho e era o dia da folga do meu marido. Acordamos juntos me arrumei, lhe dei um beijo de despedida e parti para o ponto de ônibus. Independente do atraso estava com tantos planos na cabeça! Exames, primeiras roupinhas, nome, expectativa para saber o sexo, enxoval... Caramba! Tinha esquecido o meu crachá, e o porteiro eletrônico da empresa só libera com o apetrecho do pescoço! Voltei em casa, procurei e acabei perdendo a hora do ônibus... As coisas estavam apenas começando a dar errado. Trabalhava bem longe, Duque de Caxias, baixada fluminense e morava na zona norte do Rio. Meu marido comovido com meu atraso e a grande probabilidade de levar uma bronca da chefe, me ofereceu uma preciosa carona. Claro que aceitei!

Partimos para a Av. Brasil e no meio do caminho havia o tradicional congestionamento matinal de todos os dias, mas de repente, vários tiros ouvimos! Em nossa direção em meio ao engarrafamento vinha um jovem rapaz fugindo de policiais que se protegiam dos tiros ao relento que este rapaz disparava para sua retaguarda. Fiquei em choque e não escutei o meu marido mandando eu me abaixar, como o assaltante estava entre meu marido e o policial, na linha de tiro, meu esposo conseguiu sair do carro e ir para a parte de baixo. Mais alguns disparos e uma forte pancada em minha cabeça, um pouco acima da nuca! Minhas mãos enrigeceram imediatamente, som e imagem desapareciam de meus sentidos. Fui atingida! Diversos sentimentos e pensamentos embaralhados em um liquidificador em pane na minha cabeça. Parecia me despedir da vida, até ouvir longe a voz daquele que estaria ao meu lado durante um doloroso processo que acabara de iniciar...


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